• PARQUE NACIONAL DE WEST COAST: PRAIAS MARAVILHOSAS FORA DOS ROTEIROS TRADICIONAIS NA ÁFRICA DO SUL.

ESSE PARAÍSO PRATICAMENTE INTOCADO É CONHECIDO COMO O “CARIBE AFRICANO” E FICA A UMA HORA E MEIA DE CAPE TOWN.

Eu sempre fui apaixonada por praia e durante o meu voluntariado na África do Sul tive oportunidade de conhecer boa parte do litoral de Cape Town. Minha rotina depois do trabalho, na maioria dos dias, era passar a tarde tomando sol à beira-mar.

Conheci lugares lindos e especiais em diferentes partes da cidade e todos eles tinham algo em comum: mesmo no verão, a água do mar era muito gelada, dessas de doer os ossos. Tentei entrar várias vezes, mas não consegui. Isso me dava uma certa frustração, porque eu sentia que uma ida à praia não era completa sem um banho de mar.

Foi procurando por uma praia com a água mais quente que ouvi pelo Pedro, do blog Bastante Sotaque, sobre o Parque Nacional de West Coast, onde eu iria encontrar o Caribe Africano (inclusive ele tem posts incríveis sobre o parque e arredores).

Na hora me interessei e decidi que precisava conhecer esse lugar. Convenci alguns amigos a irem comigo e planejei tudo para o meu próximo final de semana livre.

COMO CHEGAR

O Parque fica a mais ou menos 120 km de Cape Town e o acesso não é tão fácil. Não existe transporte público de Cape Town até lá e também não existem empresas de ônibus que façam essa rota. Além disso, é difícil se locomover pelo parque somente a pé.

As melhores opções são alugar um carro ou contratar um motorista, que foi a opção que escolhemos.

O motorista cobrou R1.200,00 rands (mais ou menos R$ 300,00) para nos buscar às 08:00 da manhã no hostel, nos acompanhar durante todo o dia no parque e nos trazer de volta às 17:00. Além disso, pagamos a entrada do parque pra ele e a comida durante o dia todo.

A viagem é bem tranquila, a pista é muito boa e duplicada até a entrada do parque.

SOBRE O PARQUE

O parque é enorme e existem várias opções de atividades. Durante os meses da chamada “Flower Season” (Agosto e Setembro) o parque fica coberto de flores. Tantas que formam uma espécie de tapete. Também é possível observar algumas baleias nadando bem perto da orla. Essa é considerada a alta temporada. Dizem que é lindo e vale muito a visita.

Alta temporada no parque – Flower Season

Existem várias opções para os amantes de trilhas e rotas especiais para fazer de bike. Além disso, lá vivem mais de 250 espécies de pássaros, o que faz da reserva um paraíso para os observadores.

Para completar, o parque conta com praias e lagos ideais para vários tipos de esportes aquáticos como caiaque, kite surf, mergulho, pescaria e onde também é permitida a navegação de pequenos barcos.

Eu fui durante o verão e as flores já não estavam mais lá. A paisagem estava bem mais árida, mas ainda assim o visual é maravilhoso. A estrada é rodeada de pequenos arbustos que se estendem até onde a sua vista alcança. O céu estava bem azul e a primeira impressão que se tem é que você está bem longe do mar e das praias da África do Sul.

Na guarita de entrada recebemos um mapa do parque e a orientação de dirigir bem devagar porque as tartarugas ficam o tempo todo atravessando a pista. Em vários momentos tivemos que parar o carro para esperar os bichinhos cruzarem nosso caminho.

É muito comum encontrar tartarugas cruzando a pista.

A LAGOA DE KRAALBAAI

Lagoa de Kraalbaai

Depois de alguns minutos dirigindo pela estrada principal, encontramos a Lagoa de Kraalbaai. Ela aparece como um oásis no meio do parque, linda! Não sei dizer se é verde ou azul, só sei dizer que fiquei um pouco sem ar quando a vi pela primeira vez.

No acesso para a lagoa há um estacionamento, banheiros, mesas para piquenique e churrasqueiras para braai (o famoso churrasco sul africano).

Descendo a rampa, encontramos a lagoa que tem uma água rasinha, tranquila e transparente. Dava para ver até alguns peixinhos nadando. E realmente: a água era bem mais quente que nas praias de Cape Town.

O lugar é frequentado em sua maioria por famílias sul africanas, praticamente não havia turistas. As crianças levam boias e ficam brincando na água. As famílias ficam sob tendas na estreita faixa de areia. Essas tendas são muito necessárias porque o sol castiga e não existe muita sombra. Nem preciso dizer que chapéus, bonés e protetor solar são itens de primeira necessidade.

IMPORTANTE

Dá para passar o dia todo por lá, desde que você vá preparado. Não há infraestrutura de bar ou restaurante por perto, então é importante ter água e comida na mochila.

Obs.: Em todo o parque existe um único restaurante, chamado Geelbek Restaurant. O menu é variado e os preços são levemente acima da média dos restaurantes sul africanos. No meu caso, estava um pouco fora do orçamento. Então, a solução foi levar snacks na mochila mesmo.

Geelbek Restaurant – o único restaurante dentro do parque

Ficamos umas 3 horas na Lagoa de Kraalbaai. Depois seguimos pelas estradas do parque para conhecermos outros lugares. Paramos em algumas outras praias, mas o vento estava muito forte e a maré também, então seguimos para o nosso próximo destino.

SHARK BAY

Shark Bay

Decidimos sair do parque e ir para a praia de Shark Bay, que fica logo depois do portão norte. Assim como na Lagoa, há estacionamento e banheiros.

A água é mais azul e a faixa de areia é maior. Talvez por isso há uma sensação de praia mais vazia, selvagem, intocada. Como a praia está localizada em uma baía, a água também é mais quente que nas praias da Cidade Mãe.

As poucas pessoas na areia eram mais jovens, tinha até uma galera tocando violão. Uma atmosfera muito diferente das praias de grades cidades. Foi, de longe, o lugar que mais gostei e uma das que achei mais bonita.

Como chegamos mais ou menos umas 14:00, estendemos a canga e almoçamos por lá mesmo. Ficamos tomando sol e banho de mar até o horário combinado com o motorista de voltar para Cape Town.

Shark Bay

Nessa hora bateu muito arrependimento de não ter alugado um carro. Ficar um pouco mais e assistir ao pôr do sol seria fechar o passeio de forma perfeita. Mas tudo é experiência.

A VOLTA

Na volta, a intenção era conhecer Langebaan, uma cidadezinha fofa com alguns restaurantes e pousadas. Infelizmente nosso horário estava apertado e voltamos pra Cape Town direto. Para diminuir a monotonia da estrada, decidimos passar por dentro do parque, apreciando a vista.

No portão, foi só mostrar os tickets que compramos mais cedo, junto com o recibo de pagamento e o guarda nos deixou entrar novamente. Fizemos todo o caminho novamente em sentido contrário e saímos pelo mesmo lugar que entramos. Iniciamos a viagem de volta para casa com aquela vontade de ter ficado um pouco mais.

De tantos lugares que passei durante a minha viagem pela África do Sul, o Parque Nacional de West Coast foi um dos que mais me surpreendeu. É incrível pensar que uma região tão bonita e tão próxima de Cape Town ainda é praticamente desconhecida por grande parte dos turistas.

QUANTO CUSTA

Flower Season (Agosto e Setembro)

Adultos R198,00 rands (*R$ 57,00)

Crianças R99,00 rands (*R$ 29,00)

Fora da Flower Season

Adultos R96,00 (*R$ 28,00)

Crianças R48,00 (*R$14,00)

*Valores aproximados em reais atualizados até 28/11/2019

ONDE FICAR

Se você decidir dormir dentro do parque, eles oferecem várias opções de Camping e chalés com preços variados. Todos os preços e disponibilidade estão no site do próprio parque.

 

Se você está planejando sua viagem para a África do Sul, não deixe de incluir esse destino incrível no seu roteiro.

Desbrave uma das várias trilhas do parque, caminhe no meio das flores, espere uma tartaruga. Ou se preferir, gaste um ou dois dias conhecendo as praias maravilhosas da baía de West Coast com suas águas quentes e azuis. Você não irá se arrepender.